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Ana Peres
22 Abr 2020
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Depois de várias semanas em isolamento estamos, muitos de nós, desejando retomar as vidas que deixámos fora do parêntese.

Sabemos que o alívio que ansiamos é humano, desejável e ao mesmo tempo vai exigir a continuação de muitas medidas de proteção.

Existem muitas projeções sobre que impactos permanecerão nas nossas vidas, a curto e a longo prazo, seja como irá evoluir esta realidade onde se salienta as nossas fragilidade e interdependência.

Recordo aqui a experiência de uma mulher em trabalho de parto, dando entrada numa maternidade da capital, numa noite de superlotação.

“Puseram-me na mão uma ficha onde o meu nome mal se via, mas o número que me deram sobressaia; rasparam-me os pelos pubianos com gestos bruscos; vestiram-me uma bata anónima.

Senti-me tão desamparada que me agarrei firme à decisão nunca antes pensada: a partir de agora vou colaborar com o inevitável.

Não era meu propósito ser passiva. Era a convicção indiscutível de, a partir dali, cooperar com tudo o que fosse prioritário para que o meu filho nascesse bem.”

Pouco sei sobre projeções relativas ao nosso futuro, apesar do meu interesse pelos estudos que vão sendo divulgados.

No entanto, enquanto psicóloga clínica, retiro da experiência partilhada por esta grávida, motivo para reflexões, nomeadamente sobre a diferença entre “as circunstâncias concretas que vivemos” e a “forma como cada um de nós as experiência”.

Neste caso, o trabalho de parto, naquela noite, naquela maternidade, foi sentido como um estado de grande vulnerabilidade. Este estado de desamparo levou a parturiente a criar um outro modo de sentir, ao tomar para si o poder de colaborar com o que não pudesse mudar.

Tenho pensado nesta história, quando reflito sobre alguns desafios que teremos pela frente. Talvez sejamos desafiados para viver situações de incerteza, angústia, revolta, tristeza e carências de vária ordem.

Para muitos estes desafios estão já no momento Presente.

Algumas mudanças, a curto e a longo prazo, que tanto desejamos, recearemos por vezes que demorem demais ou que nunca se realizem. A deceção, a erosão da nossa esperança e do sentimento de confiança, poderão dar origem a momentos de sofrimento.

Talvez esteja nas nossas mãos, em cada momento, tentar refletir sobre como podemos ajudar-nos e ajudar outros.

A Dignidade é o sentido único da solidariedade.

Cada ser humano é digno quando confirma na sua ação que reconhece a dignidade de outro.

Sentir um momento difícil como uma condição partilhada com outros, pode diminuir o nosso sentimento de fragilidade e ajudar a criar respostas.

Foi também com este pressuposto que tantos seres humanos se colocaram em risco, durante esta crise, para que outros pudessem ficar protegidos.

Não escutámos nenhum deles interrogar-se, por exemplo, se um idoso, já muito doente e provavelmente com uma longevidade muito limitada, mereceria que outros, mais novos, alguns com filhos por criar, comprometessem as suas e as vidas dos seus.

Por outro lado, se aceitarmos que as mudanças que representam verdadeira transformação, cultural, social, económica, serão certamente lentas, com passos incertos, conflitos, erros e aprendizagens, repito se reconhecermos isso como parte da história da Humanidade, firmaremos mais facilmente a nossa determinação e será menor o impacto do desânimo.

Trabalharemos em conjunto para o agora e para os que vierem depois. Um caminho onde a perícia se desenvolverá na construção e no aproveitamento de pequeninas mas valiosas janelas de oportunidade.

Colaboraremos com o inevitável, para uma cultura mais humanológica, porque não nos limitaremos a dar atenção ao nosso sistema imunológico.

Sempre com a nossa bússola orientada para o ponto cardial Dignidade.

Tal como os exércitos poderosos fazem, uma derrota é só uma derrota e, sobretudo, que não fique nenhum soldado para trás.

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