A Psicologia do Desenvolvimento

A Psicologia do Desenvolvimento é o ramo da ciência que estuda a mudança ao longo do desenvolvimento. As mudanças ocorrem ao longo de toda a vida: infância, adolescência, adulto e terceira idade. A mudança ocorre também em todas as áreas: físico-motora, cognitiva, afetiva, emocional e social.

Quando dizemos que a psicologia do desenvolvimento estuda a mudança ao longo da vida, estamos a dizer que esta área do conhecimento e intervenção do psicólogo está implicada na aprendizagem, na capacidade para o indivíduo interagir socialmente e eventualmente nas escolhas profissionais, e também no seu próprio desenvolvimento físico. Podemos dizer também que todos os profissionais em psicologia trabalham sempre com uma referência sobre os normativos de desenvolvimento ditos normais. No entanto, é o psicólogo do desenvolvimento que, mais especificamente, pode avaliar as dificuldades e perturbações no desenvolvimento e sugerir e efetivar intervenções terapêuticas. Em determinadas alterações comportamentais, é necessário perceber se há perturbação do desenvolvimento na sua génese, quer ao nível cognitivo, quer ao nível social, quer ao nível psicomotor.

Este ramo da psicologia investiga e intervém a partir da definição prévia da existência de fases normativas do desenvolvimento ao longo de toda a nossa vida. Cada fase requer que a pessoa domine novas competências de forma a ficar capacitada para lidar com novos desafios na sua vida, nas diferentes áreas da sua existência. É mais fácil para nós entendermos o trabalho do psicólogo do desenvolvimento quando pensamos na intervenção, na ajuda e no diagnóstico sobre a evolução de crianças e jovens. Mas, como temos estado a dizer, o desenvolvimento é uma necessidade, é um aspeto da vida ao longo de todos os ciclos. Digamos que cada nova fase superada representa uma evolução significativa que trará sempre maior qualidade de vida ao indivíduo. A transição entre fases pode provocar alguma perturbação. Também aqui, os professores, os pais que têm filhos pequenos ou filhos jovens, percebem como a passagem, por exemplo, da infância para a pré-adolescência, envolve perturbação ao nível emocional, ao nível cognitivo e também, por vezes, ao nível físico. É uma perturbação que, quando é bem vivida, não tem de ser patológica, mas precisa de ser compreendida e, em certas circunstâncias, precisa de haver aqui um acompanhamento.

O processo de desenvolvimento é dinâmico. Havendo um equilíbrio pré-existente, a mudança implica um determinado desequilíbrio, uma nova fase conquistada, uma nova fase construída. Assim, podemos entender que há aqui um processo de equilíbrio (fase já consolidada), desequilíbrio (fase em mudança) e novo equilíbrio (nova fase consolidada). Há aqui um “upgrade”. Isto implica que assim seja nas diferentes áreas da nossa vida.

Se uma criança não aprende a ler, por exemplo, é preciso identificar quais são os recursos cognitivos fazendo-se assim um diagnóstico. Este diagnóstico implica uma avaliação do desenvolvimento da criança. O resultado vai ser muito importante, pois é a partir dele que o profissional ou o próprio professor vai sugerir estratégias para ajudar a criança a adquirir esta aprendizagem tão importante.

Se um jovem tem dificuldades de comunicação, é importante perceber quais são os recursos do desenvolvimento que poderão ainda não estar adquiridos ou consolidados ou devidamente “conquistados”, e é a partir destes que depois pode haver uma intervenção com maior conhecimento sobre esta realidade.

Podemos dizer que o desenvolvimento saudável é vivido através de experiências que levam a pessoa a avançar na sua Vida.